Dormência e formigamento são sinais neurológicos

Grande parte das pessoas sentiu alguma vez em sua vida, dormência ou formigamento. Dormência é totalmente diferente de formigamento, e saber separá-los na hora da consulta médica é essencial pra o bom diagnóstico.

Dormência é a sensação como a que ocorre durante o efeito de anestesia local, por exemplo, para tratamento odontológico. Formigamento é o que se sente quando deita de mau jeito, por cima do braço. Em ambos os casos, a sensação é transitória e a recuperação é completa. Estas sensações são designadas pelos médicos como parestesias e existem outras neste grupo, como queimação, ardência, amortecimento.

Na pele, mucosas e vísceras existem os receptores sensitivos que são terminais de fibras nervosas. As fibras nervosas agrupam-se em troncos que são os nervos e chegam à medula espinhal dentro da coluna vertebral. Aí estas fibras formam feixes que ascendem até o cérebro onde terminam em áreas específicas para as diferentes sensibilidades ( tato, dor, temperatura, entre outras). É o cérebro que “sente” embora a sensação seja localizada em uma parte do corpo. Se interromper a via sensitiva em qualquer parte de seu trajeto, há supressão da sensação. Esta é a base dos procedimentos anestésicos, permitindo realizar cirurgias sem dor.

Portanto um leve toque na pele estimula o receptor tátil, que o transforma em sinal elétrico, que passa à fibra nervosa, sendo transmitido ao sistema nervoso central, que então reconhece e localiza onde ocorreu o estímulo. Isto vale para qualquer tipo de estímulo como dor, pressão, e temperaturas.

As parestesias ocorrem quando há uma alteração em qualquer parte da via sensitiva. Ou seja: as parestesias são sempre sinal de distúrbio neurológico.

A dormência pela anestesia local no tratamento odontológico, corresponde ao bloqueio do nervo pelo produto químico injetado, o formigamento no braço ocorre por compressão de um nervo ou da artéria que nutre o nervo. Portanto em ambos a manifestação é neurológica.

Inúmeras são as possíveis causas neurológicas de parestesias, algumas simples outras bem mais sérias. Como por exemplo:

Acordar com uma ou as duas mãos dormentes, melhorando logo com exercícios de abrir e fechar as mãos: costuma ser compressão do nervo mediano no punho ( síndrome do túnel do carpo).

Parestesias nas pontas dos dedos dos pés, é o que acontece em polineuropatias;

Parestesias simétricas nas duas pernas ocorrem em lesão da medula espinhal;

Dormência ou formigamento em braço e perna do mesmo lado indica lesão no lado oposto do cérebro.

Doenças vasculares periféricas, como varizes, não são causas de parestesias a não ser que provoquem isquemia dos nervos locais.

A investigação é necessariamente neurológica e é bom que seja feita rápido, mesmo que as parestesias desapareçam espontaneamente, porque há doenças que evoluem em surtos com recuperação completa nos intervalos.

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